terça-feira, 25 de outubro de 2011
Impressões sobre Abrigos
Jornalista
Santa Mônica, CA - U.S.A.
Há realmente pouquíssima coisa que consegue tocar meu coração de uma maneira triste... Uma delas, talvez a principal, é me deparar com animais abandonados, doentes, maltratados ou famintos.
Situação que é quase sempre agravada quando esses animais são levados para abrigos que não possuem dinheiro para higiene e tão pouco para os alimentos e cuidados veterinários...
Neste último final de semana tive a chance de visitar um abrigo para animais aqui nos Estados Unidos e fiquei um pouco aliviada ao descobrir que em alguma parte do mundo os animais conseguem sobreviver de uma maneira um pouco mais nobre.
A higiene é impecável, veterinários andam de cela em cela checando cada animal diariamente. Há pelo menos cinco funcionários apenas para atender visitantes que estejam interessados em adotar, mais uns cinco funcionários para a administração e comunicação via website e newspaper, fora os que não tive o prazer de encontrar. Tudo é subsidiado pelo governo, desde o local onde se encontra o abrigo, até os medicamentos, as cirurgias e o salário dos funcionários.
Claro que não é o suficiente, mas as pessoas aqui possuem a tradição de ajudar, seja doando alimentos ou algum dinheiro. Dentro do abrigo cada cela possui no máximo três animais, sendo gato, cachorro ou coelho. Se for de grande porte ficará sozinho, tendo assim mais espaço e uma cama só para ele. Há pátios internos onde quem está interessado em adotar leva o animal (acompanhado de um funcionário) para brincar e ver se ele interage com os novos donos.
Perguntei sobre adotar algum animal e levar para o Brasil, a surpresa foi que ganho de graça todas as vacinas e cuidados médicos, só me preocupo com a companhia aérea. Fácil não? Há lindos Akitas, Dálmatas, Poodles, Chow-chows, Labradores, Goldens Retrievers e Vira-latas apaixonantes... Há também gatos Persas, Siameses, Manxs e todas as misturas possíveis.... Claro que o olhar de tristeza está presente nesses animais e acho que é assim em qualquer parte do mundo.
Parece uma galeria onde eles ficam se exibindo o dia todo e torcendo para ganharem finalmente um lar. Há alguns que fazem de tudo para chamar a atenção como um ato de desespero ou como se estivessem no limite da solidão.
A parte boa é que dezenas de famílias visitam o abrigo diariamente a procura de um novo membro, e, na maioria das vezes, voltam pra casa com ele nos braços. Sou claramente contra abrigos, mas PARABÉNS aos Estados Unidos pela higiene, empenho e organização.
Conheça o Abrigo visitado pela Fernanda no endereço:
http://www.laanimalservices.com/
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Encontrei um animal abandonado. O que fazer?
Muita gente pensa que está fazendo uma ótima ação tirando o animal da rua e encaminhando-o para um protetor independente, uma ONG ou um abrigo.
Não é bem assim.
Todos estes estão sempre no limite de sua capacidade física, financeira e de tempo, lutando para sobreviver e manter os muitos animais de que já cuidam. Abrigos, inclusive, são um capítulo à parte: entregar um bichinho para um desses lugares é condená-lo a uma vida de privações, falta de espaço e de chances quase nulas de encontrar um dono e uma casa.
Assim, se você quer realmente ajudar, não empurre o problema adiante, resolva-o. A responsabilidade pelo animal que resgatou é sua. Mas aqui vão algumas dicas para te ajudar nesta empreitada tão gratificante!
Resgatei o animal. O que faço agora?
• Leve o animal imediatamente a um veterinário, mesmo que ele pareça saudável. Se você tiver outros animais em casa, isto é ainda mais importante. Afinal, ele pode estar com doenças incubadas, e problemas que só o veterinário pode detectar;
• Vermifugue-o, mesmo que pareça estar tudo bem;
• Se ele estiver em boas condições de saúde, o passo seguinte, alguns dias após a vermifugação, é castrar e vacinar. NÃO SE DOA ANIMAIS NÃO CASTRADOS, nem mesmo para pessoas conhecidas. O grande número de animais abandonados se deve justamente à falta de um controle populacional e ao desconhecimento do que é posse responsável. Para ter uma idéia, uma cadela não castrada pode gerar, em 6 anos, 64.000 descendentes e uma gata, em 7 anos, 420.000. É uma progressão geométrica absurda, e naturalmente não há lares para tantos animais.
• Não esqueça que do momento do resgate à entrega para seus novos donos, o animal estará sob sua responsabilidade. Isto inclui fornecer a alimentação e lar transitório, além de bancar os custos veterinários e outros. No caso de ser impossível manter o animal em sua própria casa - o que sai naturalmente mais barato -, uma opção é deixá-lo em um hotelzinho ou clínica veterinária até a adoção.
Ele está ótimo, pronto para ser adotado. O que eu faço agora?
• Fotografe o animal - para adiantar, isso pode ser feito no momento do resgate, até mesmo para mostrar como o animal era e como ficou -, faça um cartaz e anuncie-o em pet shops, clínicas veterinárias e outros locais à sua escolha;
• Divulgue para seus familiares, amigos, conhecidos;
• Crie um anúncio para veicular na internet. Existem sites próprios para isso;
• Leve-o a feiras de adoção. No caso de cachorros, as feiras são o caminho mais indicado, ao passo que a internet funciona muito bem com gatos. Lembre-se que as feiras só aceitam os animais se estiverem castrados e vacinados.
Como eu escolho o novo dono do animal?
O processo de adoção requer alguns cuidados. Você deve entrevistar o candidato à adoção, para ver se ele não está agindo por impulso, se já foi e será um bom dono e se cuidará bem do animal até o fim da vida deste. Algumas perguntas básicas:
• Nome, endereço, telefones, comprovante de residência.
• Todos na família estão de acordo com a adoção?
• Mora em uma casa segura, da qual o animal não possa escapar? No caso de gatos, essa questão é ainda mais importante. Se for um apartamento, é preferível que ele tenha redes de proteção nas janelas, para o animal não cair.
• Tem noção dos custos da manutenção de um animal?
• Já teve ou tem animais? O que aconteceu com eles?
• Quantas horas por dia o animal ficará sozinho? E quem tomará conta dele se a família viajar?
• Um animal vive em média 12 anos. Está preparado para esse compromisso?
Finalizando a adoção:
• O adotante deve assinar um termo de responsabilidade, que serve como uma garantia de que cuidará bem do animal até o fim da vida deste;
• Esteja disponível para qualquer eventualidade que aconteça com o bichinho e a pessoa que o adotou, inclusive para o caso de devolução. Isso também pode acontecer, principalmente se não for feita uma boa 'triagem' ou análise prévia do adotante.
Parabéns!
Agindo desta forma, você estará fazendo a sua parte de forma equilibrada e responsável. E parabéns pela coragem de tomar essa iniciativa!
Extraído do Blog: Irmão sol, irmã Lua.
http://amigosdoscachorrinhos.blogspot.com/2010/10/encontrei-um-animal-abandonado-o-que.html
sábado, 19 de junho de 2010
Cãotinho Literário
A fotografia não pode ser mais emocionante.
Fonte:
http://caderno.josesaramago.org/2009/02/19/susi/
domingo, 6 de junho de 2010
Vc sabe o que é o amor?
É um sentimento que nos livra de qualquer dor...
É sorrir sem sentir...
É querer viver...
Já sei até o que você vai dizer:
“Mas o amor muitas vezes nos faz sofrer”!
Será que você amou verdadeiramente?
Olhe para o lado...
Ele está ali parado...
É um Ser inocente...
Um olhar triste e carente...
No meio de tanta gente!
Tudo o que este Ser deseja é ser amado...
Por alguém abençoado...
Que até o último de seus dias
Permaneça ao seu lado!
O amor de um animal...
É o mais puro e verdadeiro...
É o amor incondicional...
Amor desmedido e sem igual!
Se você nunca sentiu...
Experimente...
Tome uma atitude diferente!
Adote um animal abandonado...
Eu juro pra você...
Ele estará para sempre ao seu lado...
E você nunca mais esquecerá...
O que é amar... e ser amado!
sábado, 22 de maio de 2010
O que é ser um protetor de animais?
Para começar gostaria de esclarecer que proteger animais não é chamar uma ONG ou ligar para um protetor independente quando um animal está sendo mal tratado. Proteger animais também não é ficar no computador apenas repassando pedidos de ajuda, nem se sentir no direito de exigir e cobrar que pessoas ligadas a causa façam o que você considera certo fazer. Estas são apenas formas de divulgar ações e necessidades ligadas a causa, e não a proteção em sua essência.
Em primeiro lugar é importante saber que protetores de animais são pessoas iguais a você, eles trabalham, estudam, possuem família, filhos, quintal pequeno, moram em apartamento em alguns casos, mas decidiram arregaçar as mangas e fazer a diferença. Um dia desses eu ouvi que “ser protetor de animais é um apostolado”, e isso significa você dedicar sua vida, seu tempo e seu dinheiro a uma causa que muito provavelmente “nunca” lhe trará nenhum retorno material. Consiste também em mudar seus hábitos alimentares (parar de consumir carne), hábitos de diversão (rodeios, vaquejadas, touradas, feiras de exposição, de exploração, de competição, etc.), hábitos de consumo (roupas de origem animal como casacos de pele, etc.), hábitos em geral.
O “protetor de animais” muda sua visão em relação a vida, passa a respeitar toda forma de vida, passa a lutar pela defesa dos direitos dos animais, pela castração, pela adoção, por leis mais rígidas e que os defendam, pela conscientizaçã o da população, contra a exploração animal em todas as suas formas, contra o comercio de animais, etc.
Ninguém muda estes hábitos facilmente, nenhuma pessoa que conheço amanheceu e disse: a partir de hoje sou um protetor de animais e vou deixar de fazer tudo o que fiz a minha vida inteira. A vontade de ajudar nos impulsiona a levantar e ir, com o tempo criamos cada vez mais a consciência em relação aos assuntos relacionados à causa, nossos hábitos são mudados aos poucos e gradativamente. É uma luta pessoal contra nós mesmo, e em alguns casos, contra nossos familiares que não conseguem entender e aceitar essa mudança.
Ser um “protetor de animais” é ter responsabilidade social de maneira totalmente independente da caridade. Promover a conscientizaçã o em relação ao respeito dos animais é uma das bandeiras mais importantes da causa, fazer com que as pessoas enxerguem que o animal tem uma vida que precisa ser respeitada, é uma batalha constante. Os animais existem da mesma maneira que todos nós, possuem suas individualidades e não estão aqui para nos servir.
Os defensores dos animais devem ser felizes com sua bandeira, devem se orgulhar do que fazem. Se defender animais te trouxer algum tipo de angústia, talvez seja a hora de repensar e mudar de causa. Os animais precisam de pessoas sensatas, que estejam sempre empenhadas em aprender, que estejam dispostas a tentar mudar o mundo, mas se conseguirem mudar apenas a pessoa que está ao seu lado, já fizeram muito mais do que 99% da população. Os animais não podem se defender, eles só têm a nós, seres humanos, para defendê-los, e exatamente por isso temos que nos manter equilibrados para fazê-lo, e fazer com prazer, paixão e de maneira otimista. Pessoas agressivas e desacreditadas, não apenas na causa animais mas em todas as causas, geralmente não conseguem atingir seus objetivos na sociedade, pois não conseguem desenvolver o potencial necessário para valorizar a causa que defendem.
Tenha sempre a frente, e como referência, pessoas inseridas na causa e que desenvolvam um trabalho baseado na seriedade e, acima de tudo, idoneidade. Fuja dos falsos protetores, pessoas que estão inseridas na causa tentando tirar benefícios materiais ou prestígio. Acredite em você e em seus objetivos, arregace as mangas e faça, não tenha projetos alimentados apenas pela esperança, estabeleça objetivos e metas, faça você também a diferença. Pense qual a melhor forma de ajudar os animais, quais os seus pontos fortes, se você gostaria de trabalhar com resgates, com adoção, com maus tratos, com educação, contra exploração, etc. Acredite em você, e dê o seu melhor.
Abrace uma causa, qualquer causa, mas faça-o com responsabilidade e de coração aberto. Mude seus conceitos, abandone os preconceitos e faça a diferença.
Existem 3 tipos de pessoas: As que fazem acontecer, as que deixam acontecer e as que perguntam o que aconteceu? (John Richardson Jr)
Lilian Rockenbach
Fonte: Instituto Nina Rosa
domingo, 25 de abril de 2010
Pomerode e a cultura que não poderá ser domada.
22 de abril de 2010
http://www.anda. jor.br/?p= 58205
http://www.vanguardaabolicionista.com.br/
sábado, 24 de abril de 2010
Ilusões do Amanhã
Excepcional é a sua sensibilidade!
Ele tem 28 anos, com idade mental de 15.
"Ilusões do Amanhã"
'Por que eu vivo procurando um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim esquecer?
Procuro em todas, mas todas não são você.
Eu quero apenas viver, se não for para mim que seja pra você.
Mas às vezes você parece me ignorar, sem nem ao menos me olhar,
Machucando-me pra valer.
Atrás dos meus sonhos eu vou correr.
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.
Se a vida dá presente pra cada um, o meu, cadê?
Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito.
Quando estou só, preso na minha solidão,
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão,
Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.
Talvez eu seja um tolo, que acredita num sonho.
Na procura de te esquecer,
Eu fiz brotar a flor.
Para carregar junto ao peito,
E crer que esse mundo ainda tem jeito.
E como príncipe sonhador...
Sou um tolo que acredita, ainda, no amor.'
PRÍNCIPE POETA
(Alexandre Lemos - APAE)
Nota:
Divulguem para prestigiá-lo. Se uma pessoa que encontra as barreiras que ele encontra, acredita tanto no amor, por que a maioria das que se dizem 'normais' procuram, ao contrário, negar sua existência?
sábado, 20 de março de 2010
Acumuladores de animais.
A palavra tem o significado de esconder, colecionar e é o termo empregado para identificar um tipo de doença psíquica que atinge um grande número de protetores de animais.
A pessoa começa abrigando alguns animais, na melhor das intenções e vai aos poucos perdendo a noção de espaço e de limites, até que tenha um número considerável de animais vivendo em sua casa, agora já totalmente inadequada para tantos bichos.
Começa, então, a vedar portas e janelas, a impedir a entrada de pessoas em sua casa, a descuidar-se completamente da higiene e já não acolhe apenas os animais que lhe são entregues, mas vai compulsivamente buscando mais e mais animais e os colocando prisioneiros nessa pocilga.
É comum encontrar-se carcaças junto com lixo, restos de comida, roupas e camadas de fezes nesses "abrigos".
Segundo pesquisa divulgada pela PETA, tratam-se de pessoas inteligentes,educadas, com boa escolaridade, provenientes de famílias de classe media em sua maioria, e muito bem intencionadas.
Acreditam sinceramente que estão propiciando aos bichos um lugar seguro e muitas vezes só são "descobertos" quando morrem ou quando o cheiro de suas casas fica insuportável para os vizinhos.
Recusam-se a doar os animais, mesmo para lares adequados.
É preciso ter em mente que se trata de uma DOENÇA, que requer tratamento psiquiátrico e retirada imediata dos animais sob sua proteção.
Nos Estados Unidos, essas pessoas ficam impedidas de ter bichos novamente e são periodicamente avaliadas por psicólogos e assistentes sociais.
Todos nós, protetores, temos um pé no hoarding.
Para nós, é quase impossível ver um animalzinho necessitado sem o impulso de recolhê-lo, sem medir muito as reais possibilidades de espaço, alimentação e tratamento veterinário.
É nosso dever ter em mente, em primeiro lugar, o bem-estar dos animais e isso inclue um abrigo e cuidados adequados.
É bom ficar alerta para os primeiros sinais de ultrapassagem dos limites e evitar, ao máximo, sobrecarregar aqueles protetores que já demonstram alguma tendência para essa enfermidade.
Amigos protetores: após ler muitas mensagens com teor semelhante, achei propício falar sobre HOARDING.
Animals hoarder - Colecionador ( ou acumulador ) de animais - por Martha Follain.
Hoarding é uma patologia psiquiátrica, que é caracterizada por uma excessiva acumulação e retenção de coisas e/ou animais até eles interferirem no dia a dia, como o cuidado com a casa, saúde, família, trabalho e vida social. Hoarding é, muito freqüentemente, um sintoma de uma doença mental mais grave, como o transtorno obsessivo compulsivo.
O Dr. David Tolin, diretor do Centro de Transtornos da Ansiedade, do Hospital Hartford, define hoarding: "Até agora, hoarding é considerado por muitos pesquisadores como um tipo de transtorno obsessivo compulsivo.
Entretanto, para outros cientistas, hoarding também pode ser relatado como:
* transtorno do controle do impulso (como comprar compulsivamente);
* depressão;
* ansiedade social;
* transtorno bipolar. "
Há os acumuladores de coisas e os acumuladores de animais.
Os acumuladores de animais , animals hoarders , são pessoas que necessitam de cuidados psiquiátricos, porém ainda não há literatura médica a respeito.
Essas pessoas têm dificuldade em tomar decisões racionais e de tomarem conta de si próprios, mesmo em relação ao básico.
Também não conseguem lidar com situações que não possam controlar – geralmente a morte de qualquer animal leva a uma forte sensação de angústia.
O Dr. Gary Patronek, veterinário americano, diretor do Centro para Animais e Políticas Públicas da Universidade de Tufts e seu grupo chamado "The Hoarding of Animals Research Consortium", criado em 1997, definiram um acumulador de animais como:
* alguém que acumula um grande número de animais sem lhe dar a garantia da cobertura das necessidades básicas (comida, cuidados de saúde e de higiene);
* alguém que não tem a capacidade de entender a deterioração progressiva da saúde e higiene de seus animais, (não reconhece a doença, a morte e a fome) e do meio onde se encontram (superlotação e más condições higiênicas).
* Dr. Gary Patronek também conduziu uma pesquisa, em 1999, para delinear o perfil do acumulador de animais e, chegou às seguintes conclusões:
* 76% são mulheres.
* 46% têm 60 anos ou mais.
* A maioria é de solteiros e mais da metade vive sozinho.
* Em 69% dos casos, fezes e urina de animais estavam acumuladas nas áreas sociais da casa. Em mais de 25% dos casos, a cama do acumulador estava suja com fezes e urina.
* Animais doentes ou mortos foram descobertos em 80% dos casos relatados, ainda que em 60% dos casos os acumuladores não reconhecessem o problema.
Em maio de 2003, os agentes da Humane Society de Maryland, nos Estados Unidos, invadiram o centro para animais "Chubbers Animal Rescue" , do casal Linda Farve e Ernie Mills.
Os agentes encontraram mais de 300 gatos, vivendo em condições precárias de alimentação e higiene, incluindo mais de 70 corpos de felinos, em vários estágios de decomposição.
Além disso, o chão do "estabelecimento" estava coberto por fezes, urina lixo e esqueletos. O casal foi julgado e condenado por crueldade contra os animais.
Os acumuladores, muitas vezes, aparentam levar vidas normais- são educados, simpáticos e conversadores. Porém, os animais (e eles próprios) vivem entre fezes, urina e lixo e, encontram-se subnutridos e doentes.
Os cães, geralmente, estão infectados por várias doenças e os gatos com leucemia (FeLV), aids felina (FIV), etc.
Os animais que morrem, freqüentemente não são retirados do local.
O acumulador não tem a percepção da falta de higiene e dos riscos para a própria saúde e a dos animais.
O acumulador não consegue dizer "não" a colocar mais um bicho em sua casa, por mais que esteja superlotada ou que o animal recolhido esteja muito doente (contagiando os outros animais).
Ele acha que o bicho estará bem com ele, melhor do que em qualquer outro lugar e "nega" que seus animais estejam em condições precárias de saúde.
Cães e gatos são as principais vítimas: 65% de gatos e 60% de cães , estão envolvidos nas ocorrências. Como o acumulador é , uma pessoa mentalmente doente, há controvérsias em relação à punição desse tipo de pessoa. Mas, de uma forma geral, o acumulador é enquadrado nos crimes de negligência e crueldade contra os animais – maus - tratos.
Esse tipo de situação já é preocupante, em termos de saúde pública, em todo o Brasil.
Fonte: http://amigosdoscachorrinhos.blogspot.com/2009/11/o-que-e-hoarding.html?
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Tempo de matar cavalos
Antes de os cientistas darem o alerta ele já conhecia os perigos do sol para a pele dos humanos e para o fôlegos dos animais.
Meu pai seguia a mesma lei: no verão, não se encilhava cavalo das 11 horas da manhã até quatro e meia da tarde. Salvo extrema necessidade. Por isso, levantavam muito cedo.
As principais lides campeiras tinham de ser feitas antes de o sol ganhar o alto do céu. Andar a cavalo sem necessidade no calor era para eles coisa de gente da cidade. Pior do que isso, era algo condenável. Bárbaro.
As notícias de que dois cavalos morreram na tal cavalgada do mar horrorizariam meu avô e meu pai.
Eles adoravam cavalos. Cuidavam deles com muito carinho. Veriam nessa exibição de cavaleiros urbanos, num dos verões mais quentes dos últimos tempos, um exibicionismo despropositado, uma falta de conhecimento escandalosa e uma maldade intolerável com os bichos.
Para quê? Mais espantoso é o lema da brincadeira deste ano: "mulheres a cavalo pelo Rio Grande".
Um gaúcho verdadeiro, da campanha, diria com algum deboche: parem com isso, soltem os cavalos pelo Rio Grande.
Com um solaço desses só há uma coisa a fazer: ficar mateando ou sesteando embaixo de um cinamomo. O resto é frescura de gente maturranga.
A secretária da Cultura, Mônica Leal, está contribuindo para maltratar cavalos na beira do mar.
Ela é entusiasta desse tipo de ação cultural. Enquanto ela ajuda a estafar cavalos, sentindo-se uma nova Anita, a cultura do Rio Grande do Sul estrebucha.
A sala de cinema Norberto Lubisco foi fechada. Tem cinema no shopping. Voltaire Schilling, um dos nossos intelectuais mais brilhantes e tradicionais, foi demitido da direção do Memorial do Rio Grande do Sul. Parece que ele não tinha o que conversar com a chefe.
Afinal, não é de andar a cavalo na praia com sol quente.
A casa está caindo, os cavalos morrendo, o circo pegando fogo.
Mas a secretária Mônica Leal está firme na montaria. Sempre. Ela é dura na queda. Corresponde a todos os clichês imagináveis.
Agora, entre nós, há sem dúvida um ponto obscuro, um elemento que exige investigação séria: por que mesmo Mônica Leal tornou-se secretária da Cultura?
É um tempo estranho este. Quando não há mais necessidade alguma de movimento, todos querem se deslocar.
Especialmente pelos meios mais anacrônicos.
Pode haver algo mais excitante do que permanecer no lombo de um cavalo, com o sol a pino, até o bicho morrer?
Tudo isso em nome da tradição!
Os franceses do século XVIII usavam perucas empoadas. O Ministério da Cultura da França devia lutar pela recuperação dessa tradição eliminada pela modernidade.
Vou comprar um cavalo para matar na próxima cavalgada.
Porto Alegre, quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Cãotinho Literário
Maria de Lourdes secorun Inácio
Enfim, lavar um animal com pulga exige esforço, concentração, boa visão e unhas relativamente compridas para poder arrancá-las de sua fonte de alimento.
As toalhas com que são secos os animais se transformam nos pelos e elas novamente se fixam com todas as forças, ou melhor, garras?
Esse fato desencadeou lembranças de um passado adormecido.
Muito criança ficava a observar as mulheres que lavavam roupas à beira de um córrego. Um córrego de águas límpidas, cheio de lambaris que costumávamos pescar com as mãos e o menorzinho deles deveria ser engolido vivo caso quiséssemos aprender a nadar.
Pobres lambaris.
Engoli muitos na inocente crença da infância.
A profundidade do córrego ia ao máximo até o joelho das crianças que tinham quase o mesmo tamanho. Nós dizíamos que iríamos ao “corguinho” assim nossas mães não se preocupavam porque sempre haveria uma ou outra mãe com sua bacia de roupas sujas, o sabão feito em casa a lavar as roupas nas águas do córrego.
Molhavam, colocavam na tábua de lavar roupa, ensaboavam, esfregavam, enxaguavam. A operação se repetia o equivalente à sujeira da roupa. Depois eram colocadas em bacias enquanto outra peça era molhada, ensaboada e assim repetidas vezes até a bacia com roupas sujas se esvaziar.
Observar essas mulheres efetuando esta tarefa era um dos meus passatempos quando à beira do córrego, ou sentada na parte mais alta do barranco que descia até as lavadeiras coberto por uma grama verde na qual muitas vezes descíamos rolando até cair na água.
Nunca entendi porque em determinada parte do processo de lavar as roupas, de repente elas eram surradas contra a tábua. Umas mais levemente, outras com muita força e repetidas vezes.
Porque batiam as peças?
Nunca perguntei a minha mãe.
Também nunca lavei roupa a beira do córrego. Só engoli lambaris, tomei banho nas águas límpidas, persegui cardumes de peixinhos, tomei banho com sabão para me livrar da coceira depois de rolar grama abaixo.
Quando me coube essa tarefa as máquinas de lavar faziam todo o trabalho.
Hoje, depois de correr água por sobre a toalha, esfregar com a escova, tentar arrancar com a unha as pulgas agarradas às felpas, num acesso de ira repeti aquele ato: surrei a toalha, bati contra o tanque, me molhei toda e as pulgas começaram a se soltar.
Não aprendi nadar engolindo peixinhos.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Cãotinho Literário
Ética e Animais
Ricardo Timm de Souza
Prof. PUC-RS
Quem têm sido os animais ao longo da história do poder humano? Podemos iniciar caracterizando o que, por efeito dos impulsos de conquista humanos, de seu ímpeto no sentido de tentar "transformar o universo em um gigantesco campo de caça" (ADORNO; HORKHEIMER, Dialética do Esclarecimento), os animais não têm podido ser: co-autores da sustentabilidade ético- ecológica do planeta, ou seja, "outros". Máquinas vivas, alvos fáceis da vontade de destruição racional, objetos de exploração de todos os tipos, de tortura, de decoração e uso, sem falar em alimento sempre à mão, os animais experimentaram desde sempre todo tipo concebível de violência humana. Incapazes de argumentar senão com sua existência nua, expostos a todas as agruras por existirem sem poderem se contrapor a seres empenhados não apenas em reduzir obsessivamente a existência da realidade externa a uma função sua, mas em determinar absolutamente o valor de realidade do Outro que si mesmo exclusivamente a partir de categorias destiladas por seu próprio cérebro, algo mais desenvolvido em suas funções cognitivas, os animais não-humanos ocuparam sempre o lugar de alvo predileto de uso violento-objetificador da vida pelos animais humanos..
Se é verdade que em todos os níveis da vida, da relação ser humano-natureza, evidenciou-se uma contínua disposição de transformação da natureza para fins poucos sustentáveis — situação que ninguém hoje ignora exatamente pelas reações da própria natureza como um todo, por exemplo, na questão do aquecimento global —, é ainda mais verdade que em relação aos seres animados, e especificamente aos animais superiores, uma tal violência contínua cultivou e deu à luz os piores frutos da mania objetificante do homo sapiens. É uma questão de justiça histórica, e de justiça para com os vencidos em estilo benjaminiano e derridiano, lembrar que, até não muito tempo atrás, filósofos subiam a cátedras para explicar que as expressões de dor de animais vivissecados e torturados não eram de dor, mas reações maquínicas de uma máquina, já que aos animais faltaria a razão — talvez a razão de que se serviam tais filósofos para destilarem tais argumentos.
Todos esses fatos nos ajudam a perceber de forma cabal que, se é verdade que a crise que ora vivenciamos tem proporções inusitadas — e tudo leva a crer que tal se apresenta mais e mais como límpida verdade, como se pode observar pelas exigências que a natureza como um todo faz à ação humana, ultimato cuja alternativa é o extermínio dessa doença — o homem — que grassa sobre a pele da terra, como diria um Nietzsche — então é hora que se perceba finalmente, como já se sugeriu bem ao início do texto, que a categoria filosófica realmente adequada para conceber a existência dos animais é a Alteridade. Como toda realidade — não apenas a realidade humana — também os animais estão infinitamente além da capacidade de representação que deles se tenha, e o ônus da objetificação é exclusivamente de quem.
Assim, a frase de Adorno, “A filosofia existe propriamente para fazer justiça ao que se dá no olhar de um animal”, assume um novo sentido: repositório de Alteridade desconsiderada pelos grandes tratados, os animais olham-nos desde o fundo da existência mesma, particular e não-intercambiável, totalmente singular por mais que sejam multidão, irredutível a generalidades ou ontologias gerais. Sua vida fala de outro modo que meramente existindo: chama- nos a atenção, de modo pertinaz e infinitamente repetível, para a banalidade dos assassinatos, cometidos em série ou não, que têm, além de objetivos pragmáticos, objetivos crípticos de anular outras modalidades de existência, e evidenciam de modo definitivo os limites da capacidade representacional do intelecto identificante. Pois, ao contrário do que diz Levinas, também os animais podem ser assassinados (e não meramente "mortos"), e não apenas os homens, e o são tanto pelo menos tanto quanto os homens o são.
Cãotinho Literário
A eficiência de uma pessoa que trabalha na causa animal não deve ser medida pelo número de animais que esta pessoa possui ou que recolheu, cuidou, esterilizou e doou, mas sim pelo número de pessoas que ela conseguiu fazer com que tomasse esta atitude.
Toda a vez que algum amigo “precisa” se desfazer de um animal, você fica “doido(a)” procurando um novo dono para o mascote antes que ele o jogue na rua.
Sempre que algum conhecido deixa sua cadela ter uma cria, você é a pessoa contatada para ajudar nas doações. E, muitas vezes, até paga a esterilização da cadela.
Quando um animal adoece, de quem seus amigos lembram?
Quando acontece uma tragédia com animais, qual a pessoa que todos vão lembrar de ligar para relatar, nos mínimos detalhes, o acontecido dizendo: "Lembrei de você!"
Quantos animais são abandonados na porta de sua casa?
E VOCÊ?
Você não esta se sentido cada dia mais impotente frente ao grande número de acontecimentos tristes que você toma conhecimento?
Nós amamos os animais, mas o primeiro ato de amor é o não-prejuízo. Esteja atento(a), pois atitude justa é aquela que melhor se ajustar à situação precisa. O amor sem justiça corre o risco de ser apenas emotivo, não criando melhores condições de vida para todos os seres.
Se você esta “resolvendo” o problema de seus amigos, você esta ajudando muito mais a eles do que aos animais. E ainda criando uma situação desgastante para você.
Ajudar não é fazer as coisas em lugar de outro, e sim permitir que estes se saiam bem sozinhos. Se não, criamos um ciclo vicioso de dependência.
Se você pode, seus amigos (ou as pessoas que te ligam) também podem!
Se você fizer por eles, esta tirando a oportunidade de eles mesmos fazerem o bem. Atos não-justos que aprecem à nossa frente são para nos ensinar, para nos levar a tomar uma atitude justa. E atitude justa não é chamar alguém para tirar o problema da sua frente, mas sim resolvê-lo.
Se você resolver os problemas se seus "amigos", você vai ter tantos “lembrei de você” que sua vida se tornará um caos. E um dia, não poderá ajudar todos os “amigos” que te procuram. E os animais continuarão sofrendo.
Antes de amar os animais, você tem que amar a si mesmo(a).
A compaixão sem sabedoria pode nos tornar apenas ativistas cheios de boa vontade, mas também sem discernimento e profundidade. Isso pode ser uma fonte inesgotável de sofrimento. A nossa atitude de fazer o bem no lugar de outros nos leva a um grande sofrimento tamanha é a quantidade de problemas que chegam até nós.
Sofrimento existe. Ele não depende de nós. O que depende de nós é a atitude de não cultivarmos este sentimento e esta dor de tal maneira que nos impeça de tomar atitudes coerentes. Há bastante sofrimento no mudo. É inútil acrescenta-lhe o nosso. Constatá-lo sem a possibilidade de transformá-lo não muda nada. O mesmo acontece com a indignação. Não adianta a indigna-se sem uma atitude para a mudança. Isso não passa de um movimento emocional estéril.
O amor, a compaixão, o sofrimento e a indignação são sentimentos que podem transformar o mundo para melhor se usados com sabedoria.
VAMOS APRESENTAR A SITUAÇÃO DE OUTRA MANEIRA:
Em vez de escolher a vitimização e o desespero, vamos escolher a inteligência e a esperança.
Você não é culpado pelo sofrimento do mundo. Cada vez que um amigo ligar para você pedindo ajuda, aproveite a oportunidade de dizer para ele como fazer o bem. Isso faz bem!
Também fale a ele o quanto você é feliz podendo dormir tranqüilamente por saber que faz a sua parte e como é importante que ele também o faça.
Ensine-o a se sair bem sozinho e não faça o bem no lugar dele. Acredite, muitos vão agir e a satisfação por salvar uma vida é algo indescritível. É contagioso. E logo teremos um exército de pessoas agindo na causa animal.
Não fique focado nelas. Leve sua atenção para as pessoas do bem. Você vai ser sentir mais feliz e otimista e vai ter discernimento para saber quando a sua ajuda é necessária.
Não se preocupe: 99% das pessoas são boas. O problema é que as pessoas boas estão ficando de braços cruzados. E esta na hora de serem estimuladas a agir.
Nada como um animal em sofrimento para mobilizar grandes grupos. A maioria fica só no passo da indignação e do sofrimento, mas sempre aparece alguém que toma uma atitude.
Tomar uma atitude não é ligar para amigos, para os órgãos públicos, para as protetoras, para o presidente da República.
Tomar uma atitude é fazer o que tem que ser feito, mesmo que tenha que gastar nosso tempo e dinheiro.
A boa notícia é ninguém precisa esperar nem mais um instante para participar desta mudança, basta mudar a si mesmo e, depois, pensar em mudar o mundo.
http://www.clubeamigosdosanimais.com.br/
Cãotinho Literário
Maria de Lourdes Secorun Inácio
Associação Amigo Bicho
Fiquei procurando fundamentação para os argumentos que deveria usar para justificar o título. Pesquisei filósofos, juristas, neurocientistas, até poetas. Poetas sim, porque não? São sensíveis ao sofrimento de forma mais intensa que pessoas comuns.
Ao que fui cair em Max Weber, sociólogo.
Segundo Weber a burocracia é utilizada pelo Estado para imobilizar o cidadão, assim ele não consegue resolver os problemas que se lhe apresentam. Esta é a forma que o Estado tem para controlar as pessoas.
Basta dizer que é lei.
Os processos, os encaminhamentos impedem-nos de realizar ou dizer qualquer informação importante e, portanto, ficamos sem ação e sem ter a quem recorrer porque nos perdemos na hierarquia e caos da burocracia.
Para se ter um bom exemplo de domínio burocrata recomendo a leitura de “O Processo” de Kafka.
Quem já teve a experiência de defrontar-se com um burocrata sabe que as vezes se torna um confronto. Um burocrata típico, desses que nos faz temer e acreditar que não há solução plausível para um país governado por eles.
Decorar leis e recitá-las, como diz meu filho, qualquer um que saiba ler pode fazê-lo. Mas aplicá-las com bom senso é um problema sério. Imbuir-se de poderes delegados por um cargo e colocar-se acima do bom senso é extremamente irritante, ainda mais quando se necessita de soluções para problemas emergenciais.
Aí entra o Tarcisio. Se tivéssemos deixado o tatu entregue a própria sorte não teríamos problemas burocráticos. Se fechássemos os olhos diante do sofrimento de um ser vivo, muito bem - ele estaria cumprindo o papel que a natureza lhe destinou. Mas ao contrário, nosso primeiro impulso é salvar vidas, mesmo que isso implique retirar animais de seu meio ambiente.
Agora sei: a vida tem donos que decidem se o animal deve viver ou morrer. Perante os senhores da vida o que se constata é que devíamos tê-lo deixado morrer.
A matança sanguinária e cruel que não conseguimos impedir já nos frustra muito. Deixar morrer a mingua um animal ferido que cai em nossas mãos é contra nossos princípios.
Princípios humanitários, não burocráticos.
A vida é frágil devemos então dar mais importância a ela e trabalhar para que seja a melhor possível. Não só a vida humana, mas a vida enquanto espécie animal.
Por esta razão burocratas não devem decidir tema complexo como a vida simplesmente recitando um regulamento “que deve ser aplicado a todos igualmente”.
Tentei me lembrar em que momento o termo “legalista” veio à tona, tenho certeza que não foi dito por mim, deve ser algo que acompanha burocratas. Nem sempre a gente se dá conta do “ato falho” que comete.
Não se pode abandonar as leis, mas a sujeição a uma norma pré-fabricada gera uma postura inflexível. A lei deve ser aplicada norteada pelo critério da justiça. Visualizar a lei como garantia, segurança e certeza absolutas fere o sentimento das pessoas e da sociedade. Ferir é fácil, cicatrizar às vezes é impossível.
Frequentemente os defensores de animais são acusados de serem pessoas particularmente emotivas, sentimentais.
Pergunto: não haveria algo psicologicamente errado com aquele que nada sente? A falta de sentimentos sim revelaria uma falha pessoal. A presença de sentimentos, a emotividade gera uma sensibilidade moral às injustiças.
Busquei fundamentos filosóficos como citado no início porque acredito e defendo a ética do cuidado, da responsabilidade.
Segundo Naconecy “Grande parte da vida ética tem uma dimensão emocional, e não apenas racional. O fenômeno moral envolve sentimentos além da cognição. A noção de justiça nesta perspectiva é considerada como muito estreita e mesmo insuficiente...”
Dentro da perspectiva da ética do cuidado a experiência pessoal da emoção não implicaria na exclusão da razão.
Creio que discorrer sobre ética não era meu intuito inicial, mas fica a sugestão de leitura do autor citado que trata de forma clara sobre a ética e animais.
A razão de ter recorrido a este recurso foi apenas para lembrar que os defensores de animais não são pessoas desinformadas, alienadas, que procuram dar um sentido a vida. Nossa vida tem sentido e dentro dela está incluído o respeito aos animais na mesma proporção que aos humanos.
Finalizo dizendo a quem se dispôs a ler até o fim: não deixem de salvar a vida de um animal, seja doméstico, seja silvestre ou de qualquer outra espécie.
A vida tem um significado muito especial. Nossa empatia com o sofrimento dos animais está acima de qualquer julgamento e mesmo que não estejamos agindo de forma legal, estamos dando chance de vida a um ser em sofrimento, que necessita de cuidados, de dedicação, carinho e muito amor. E o legal nem sempre é o moralmente correto.
Amigo Bicho não escolhe o bicho que vai cuidar!
Cãotinho Literário
Cãotinho Literário
Maria de Lourdes
Os Centros de Controle de Zoonoses são unidades municipais onde se desenvolvem atividades dirigidas aos vetores como aedes, flebótomos e simulídeos, dentre outros; aos reservatórios e hospedeiros como cães, gatos, bovinos, eqüídeos, suínos, ovinos e caprinos, animais silvestres e aves; aos animais sinantrópicos, como roedores, baratas, pulgas, pombos e morcegos; aos animais peçonhentos, como escorpiões, aranhas e abelhas.
A função dos CCZs devem ser a de praticar a vigilância epidemiológica das antropozoonozes.
Assim, o CCZ é apenas mais um órgão antropocêntrico que é responsável em cuidar da saúde pública, não dos animais recolhidos das ruas, ou seja, é responsável em não permitir a proliferação de doenças em humanos, mas não é sua função proteger animais de maus-tratos, nem proporcionar bem estar a eles dentro de seus estabelecimentos.
Nós protetores dos direitos dos animais, defendemos que os animais são seres vivos que habitam a Terra, são tutelados pelo Estado (Art. 1 do Decreto Lei 24.645/34) e por princípios constitucionais que vedam a prática de crueldade aos animais (Art.255 da Constituição Federal parágrafo 1 inciso VII, reiterados pela Lei de Crimes Ambientais 9.605/98 e Lei Federal 6.938/81 que define a política Nacional do Meio Ambiente); e nos sentimos agredidos quando ouvimos de pessoas que teriam por obrigação levar informações claras à população, usar de seus poderes para passar informações não corretas e disseminar idéias contrárias ao real sentido dos CCZs.
Hoje o acesso às informações tornam inconcebíveis versões particulares de conceitos com o intuito de se beneficiar da ignorância das pessoas com menos conhecimento. Acreditamos que é grande a responsabilidade de prestar serviços e esclarecimentos corretos à comunidade.
Portanto, leiam, informem-se, pesquisem. Nem todas as pessoas são passivas e assimilam “verdades” ditas sem nenhum fundamento real.
Dicionário:
Flebótomos fêmeas transmitem a leishmanioseos
Simulídeos, gênero de mosquitos transmissores da oncocercose, uma doença parasitária comum na África, mas conhecida no Brasil há apenas 40 anos por formar uma área endêmica restrita ao território ianomami. Com a equipe da Fiocruz, a pesquisadora padronizou para as espécies de mosquitos que existem na fauna brasileira as técnicas moleculares que detectam, no vetor, o parasita causador da doença.
Animais sinantrópicos são aqueles que se adaptaram a viver junto ao homem, a despeito da vontade deste, como exemplo os ratos.
Antropozoonose é uma infecção transmitida ao homem, por reservatório animal. A Raiva é uma antropozoonose transmitida ao homem.http://psiqueindiscreta.blogspot.com/2008/02/ccz-de-fortaleza-matadouto-gratuito.html
Cãotinho Literário
Mitos e verdades... que você precisa saber, antes de pedir "ajuda" a um protetor-Não existe "Associação de Proteção Animal".
Ao menos não é da maneira que você pensa que seja. Existem abrigos, e sem exceção todos eles estão lotados, com animais presos, em canis superlotados, confinados. A fome rondando a porta. A falta de recursos como moradora... O governo não ajuda esses locais.
O Bill Gates não ajuda esses locais. É com dinheiro como o SEU que estes locais são mantidos. Dinheiro que precisa ser ganho de alguma forma. Ele não cai do céu; Portanto esse local "mágico" só existe no seu imaginário. Se houvesse tal lugar, não haveriam bichos jogados na rua.O único local que coleta TODOS os animais que você solicitar é o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) ou se você preferir, o nome popular: CARROCINHA.São recolhidos aqui, ali, acolá, nas pequenas e grandes cidades e são eutanasiados em 3 dias. Eutanásia é um nome bonitinho para ABATE. Depois os corpos são levados para um aterro, VALA COMUM, entende?
- “Alguém teria um espacinho? Eu dou a ração”!Espacinho pode ser a sala da sua casa!!!! Que tipo de casa você pensa que vive um protetor? Diferente da sua????? O cachorro faria sujeira e bagunça na sua casa? Ele faz na minha também! Seu marido não gosta? O meu também não!Você tem filhos? Eu também! Eu sou um ser humano igualzinho a você, não tenho super poderes... E não é só de ração que vive um bicho.Precisam de remédios, de panos para deitarem, de produtos de limpeza;viverem num ambiente sadio, precisam de banhos, de remédios para pulgas, de água para lavarem onde vivem, de alguém que cuide deles... E DE TEMPO e PACIENCIA! De onde você tira que seu tempo é mais precioso que o meu???
- Protetor não tem problemas!?Antes de pedir QUALQUER FAVOR a um protetor, leia isso...
- Tenho família, meus parentes adoecem, minha filha vai a escola, eu vou ao mercado, eu gosto de ter uma casa limpa e arrumada...
Eu sou igual a você, com a diferença que eu ponho a mão na massa enquanto você põe a mão na cintura.Se for pedir para um protetor te "ajudar" com um bicho, lembre-se que ele está ajudando VOCE; VOCÊ que viu o animal.
Todo protetor já tem em media 5 a 10 animais em casa. Será que é justo você persuadir, insistir, apelar emocionalmente para que essa pessoa leve mais um para casa? Um que vai criar desequilíbrio, brigas, latidos, problemas com vizinhos....Você pensa quem é que vai pagar a conta do veterinário? Ou acha que protetor tem isso de graça também???Leve VOCÊ o bicho para a sua casa! Impossível que você não tenha um "espacinho", um "cantinho"... E não me venha com essa historia de não posso porque isso ou aquilo. Quando a gente quer, sempre pode. Levamos a vida passando por desafios e ultrapassando limites. Se você realmente quiser você pode! Não empurre seu problema para mim!
Não empurre para outro protetor!Se ainda sim pedir ajuda a um protetor, lembre-se que aquele animal é SUA RESPONSABILIDADE ENQUANTO ELE VIVER e não só nos dois primeiros meses. Ele deve ser sua primeira obrigação, e não "se sobrar uns trocos do seu salário".É obrigação, responsabilidade para sempre!Doar esse animal para uma boa família deve ser sua meta e objetivo de vida!Esse protetor deve receber tudo que solicitar para o animal, desde alimento (não seja mesquinho, a ponto de calcular quanto o bicho come... se acha que o safado sem vergonha do protetor está "desviando sua ração" leve ele para sua casa e controle pessoalmente) remédios, vacina, castração, banhos e tudo mais.
Tudo por sua conta. Sem chorar, demorar ou reclamar.Outras considerações:- Carro de protetor:Suja e fede se o bicho vomitar, urinar ou defecar IGUALZINHO O SEU.Quem disse para você que protetor gosta de ter bancos rasgados e cobertos de pelo?Também gasta combustível, óleo, manutenção, igual o seu.
- Fins de semana, feriados e direito a descanso. Nós também gostamos e precisamos. Feiras de adoção são cansativas. Vá você também ajudar levar seu animal para doar, limpar cocô e agüentar adotante sem noção. Lembre-se, o interesse de doar deve ser seu acima de tudo! Se você não tem dinheiro, não tem carro, não pode dar ração, não pode pagar tratamento, não tem tempo para ir a feiras, não pode fazer uma rifa para bancar, não pode pagar hotel, não pode levar no seu carro, não pode levar para sua casa, ou para a casa da sua tia, não pode buscar adotantes, não pode ser voluntário, não pode doar NADA DE VOCÊ em prol da causa, faz um favor? SAI FORA! Pare de empurrar novos casos para as listas, apelando para o nosso emocional, já tão abalado por tantos problemas. Se vira, engole a seco!
Tem milhares de animais abandonados pela cidade. Não podemos salvar todos. Não repasse mais um problema. Nós sabemos bem quem trabalha na causa e está no sufoco no momento e quem só joga bomba para os outros resolverem. Não somos bobinhos. Nos conhecemos, nos ajudamos. Sabemos quem é quem aqui, pode ter certeza. Provavelmente você não sabe disso, mas a porcaria do e-mailchantagista que você passou jogando um caso na lista,TIRA O MEU SONO, TIRA MINHA PAZ. A minha e de todos os protetores da lista. A gente fica mal, se deprime... Não repasse mais, não peça mais!
Se não pode fazer NADA por esse bicho, depois de ler tudo que escrevi, ao menos tenha a decência de se calar.
Por Fernanda Garcia em 26/11/2007






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